• Rodrigo Goncalves

O rei está nu nas estatais

O grande cavaleiro templário do liberalismo, Salim Matar, escreveu em sua carta de demissão:

No governo procura-se defender o Estado, enquanto o correto seria defender o cidadão. Um ente privado como eu desperta muita curiosidade, mas pouca receptividade. Se no mundo dos negócios a orientação é mudar para melhorar, no governo é permanecer as coisas como são para manter do jeito que estão.

Isto me lembrou de um episódio de minha infância.


Meu pai trabalhava na Telebrás e tinha um grande amigo que eu chama de tio. Um dia, quando eu tinha uns 7 ou 8 anos de idade, eu perguntei para meu pai:


-- Pai, o que o tio faz na Telebrás?

-- Ele trabalha na área de Marketing - meu pai respondeu.

-- Marketing, tipo propaganda? Porque a Telebrás precisa fazer propaganda se é a única empresa que vende telefone?


Meu pai riu e me disse:

-- Pergunte para seu tio.


Lembro-me claramente do episódio. Estávamos em um clube, o Telestar, em um domingo. Procurei meu tio que estava por ali, tomando cerveja e conversando com o resto do grupo e perguntei:


-- Tio, porque a Telebrás precisa de propaganda?

-- Ah! O marketing é muito importante. As pessoas precisam saber a importância das telecomunicações. -- ele respondeu (não lembro as palavras exatas, mas foi algo assim)

-- Mas tio, não seria melhor usar o dinheiro da propaganda para instalar telefones para as pessoas?


Ele riu meio sem graça, passou a mão na minha cabeça, e disse algo como: "ah... estas crianças..."


Quando uma criança diz que o rei está nu, os adultos não sabem o que fazer.


As estatais trabalham para si próprias, e não para seus clientes.


Hoje eu precisei dos Correios aqui na empresa. Soube que está em greve. Enviei o pacote pela Azul Cargo.




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